Elizete Aparecida Ferreira Tavares, 54 anos

Elizete Aparecida Ferreira Tavares

No começo, foi bem difícil porque eu sentia dor nas juntas, inchaço, fazia exames de sangue e dava sempre negativo. Então, demorei um ano para descobrir que tinha AR. Eu não podia tomar medicação, pois não tinha o diagnóstico comprovado. Os médicos perguntavam se alguém da minha família tinha a doença. Minha mãe não tinha. Meu pai não sei se tinha porque não o conheci. Os meus filhos não têm. Foi muito difícil pela dor e pela falta de diagnóstico, porque eu tinha certeza de que era reumatismo pelo que eu lia e ouvia falar. Eu não queria que fosse, mas sabia que era. Eu fiquei muito deprimida porque tinha tirado férias do trabalho e depois fiquei afastada por conta do problema de hérnia de disco que tenho e, quando estava me recuperando da hérnia de disco, começaram os sintomas da AR. Fiquei muito triste porque não queria ficar em casa, queria continuar trabalhando, mas não tinha condição porque sentia muita dor, não podia descansar à tarde porque, quando eu parava, parecia que esfriava as juntas e doía mais ainda. Mas depois fui tomando a medicação que tomo até hoje e pego pela Farmácia de Alto Custo de Guarulhos – é o que me ajuda. Eu não posso ficar sem a medicação. Tratamento Comecei tomando dois medicamentos, anti-inflamatório e predinizona. Mas como não tive grandes resultados, o médico prescreveu um biológico, e é o que eu estou tomando até agora (já tomei 70 doses quinzenais), o equivalente a 3 anos. O médico já me avisou que, quando eu tiver alguma inflamação (por exemplo, de urina), pelo fato de a imunidade cair, eu não posso tomar os remédios, pois aumenta a infecção. Aí você percebe que, quando fica sem tomar por alguma necessidade, a AR aumenta. Tenho um pouco de medo de tomar corticoide, mas tomo. É por isso que faço exames de sangue de 3 em 3 meses para ver se está tudo bem. Tenho limitações, por exemplo, não posso andar muito, permanecer muito tempo de pé, não posso ficar muito tempo em filas (meu tornozelo começa a doer muito), não posso pegar peso. Eu trabalhava em uma cozinha industrial que fazia cerca de mil refeições por dia e lavava toda a louça. Para quem tinha condições físicas normais já era muito difícil, imagine para mim com essas limitações. Só que eu comecei a perceber os efeitos da medicação, conversei muito com o meu médico e fui me conformando com essa doença que não tem cura. Eu agradeço a Deus por ter essas medicações. Antigamente, com 4 meses, o paciente já estava deitado em uma cama por não poder mais andar. Então, por saber disso, hoje estou mais conformada. Não é bom, porque é uma doença que não tem cura, mas vou levando, pois sei que, se fizer o tratamento direitinho, posso ter qualidade de vida. Agradeço pela vida, gosto de viver. Eu fico imaginando como as crianças lidam com essa doença... Nós, que somos adultos, passamos tanta dor, que só quem sente é que sabe, fico imaginado as crianças. Temos que ter esperança, não podemos desistir nem deixar o abatimento e a tristeza tomarem conta de nós, porque o fator emocional também influencia no controle da doença. Se você fica pra baixo, a imunidade cai, e você fica pior. Às vezes, eu choro quando estou com muita dor, mas depois tomo o remédio, espero ele fazer efeito e fica tudo bem, vou seguindo a vida. A minha maior alegria é a de estar viva e poder conviver com a minha família e com os amigos. Quanto estamos nessa situação, pensamos só no nosso problema. A partir do momento em que você entra em contato com outros portadores de AR, você vê que existem mais pessoas com o mesmo problema e estão felizes. Os encontros são gostosos, damos risada, conversamos e trocamos experiências boas e ruins. Enfim, vemos que não estamos sozinhos. Sou aposentada por invalidez – foi uma batalha complicada. Eu trabalhava em cozinha, e eles queriam me mandar embora e que depois eu procurasse os meus direitos. Então, eu sabia que não poderia voltar porque iria ser mandada embora e perderia o convênio, mas eu precisava fazer exames, e os médicos do INSS não aceitavam realizá-los. Mas eu não comecei doente no serviço, eu entrei bem, fiz o exame de admissão e estava bem. O pessoal do INSS achava que era corpo mole; então, foi muito complicado. Eu entrava na sala dos médicos da perícia morrendo de dor, já não estava mais trabalhando e fazendo as coisas que costumava fazer, e eles não acreditavam. Tive que provar de todo jeito: com ressonância magnética, com chapa, com tomografia – foram cinco anos persistindo. Fiquei um bom tempo desesperada, sem dinheiro até para andar de condução, mas fui me arrastando e fui conseguindo. E, graças a Deus, eu consegui me aposentar por invalidez. É uma aposentadoria temporária, de cinco anos. Depois desse tempo, vou fazer uma nova perícia, novos exames, para eles decidirem se vão me dar a aposentadoria definitiva.